'Compartilhe com sua irmã.' 'Dê a ele uma vez.' 'Não seja egoísta.' A instrução sobre compartilhamento está entre as intervenções parentais mais comuns — e entre as atividades mais desalinhadas com o desenvolvimento que os pais tentam. A pesquisa sobre o desenvolvimento do compartilhamento conta uma história complexa e contraintuítiva que deve mudar como os pais abordam esse desafio.
Por Que Pequeninos Não Compartilham (E Isso é Normal)
Compartilhamento voluntário verdadeiro — dar algo de valor a outra pessoa sem pressão social — requer uma capacidade cognitiva sofisticada: a capacidade de levar em conta a perspectiva de outra pessoa (teoria da mente), pesar desejos concorrentes, e escolher priorizar a felicidade de outro sobre seu próprio naquele momento. A maioria dessas capacidades não está madura até os 4 a 6 anos.
Forçar o compartilhamento antes dessas capacidades se desenvolverem não ensina compartilhamento — ensina conformidade sob pressão. Uma criança que cede um brinquedo porque um pai insiste não aprendeu a compartilhar; ela aprendeu que resistência a adultos é fútil. Isso não é o mesmo que o desenvolvimento prosocial que os pais estão visando.
Pesquisa de Sommerville e colegas descobriu que bebês com apenas 15 meses já entendem justiça — eles olham mais tempo para distribuição desigual de objetos do que para distribuição igual. Mas entender justiça não é o mesmo que praticar voluntariamente quando seu brinquedo favorito está em jogo.
O Que Realmente Funciona
- •Aguarde até 3 a 4 para focar em compartilhamento: Antes dos 3 anos, foque em brincadeira paralela e revezamento em vez de compartilhamento simultâneo. Revezamento ('agora é a vez de Marcus, depois será sua vez novamente') é cognitivamente mais simples e mais ensinável do que compartilhamento.
- •Ensine revezamento com um visual: Use um temporizador ou um token físico ('quem tem a estrela tem a vez') para tornar o revezamento concreto e objetivo em vez de uma chamada de julgamento do pai
- •Não force desistência de objetos especiais: Objetos com significado pessoal particular ('seu brinquedo especial') não devem ser forçados a compartilhamento. Proteger o direito de uma criança a posses especiais na verdade aumenta a generosidade geral com itens não especiais.
- •Modele generosidade: Narre sua própria generosidade: 'Vou compartilhar minha banana com Pai porque me importo com ele.' As crianças imitam o que observam.
- •Elogie compartilhamento voluntário especificamente: Quando uma criança compartilha voluntariamente, reconheça o comportamento específico e o efeito: 'Você deu a Marcus uma vez com o caminhão — você viu como isso o deixou feliz?'
- •Evite elogio genérico: 'Bom compartilhamento!' sem especificidade não ensina o link entre o comportamento e o resultado prosocial.
O Que Músicas e Histórias Podem Adicionar
Músicas e histórias sobre personagens se revezando ou oferecendo algo a um amigo dão às crianças uma maneira sem pressão de ensaiar a ideia de compartilhamento antes de ser pedido que a pratiquem em um conflito real sobre um brinquedo. Como a criança não é quem está desistindo de nada, é mais fácil para eles notar como o personagem generoso se sente e como o outro personagem responde.
Revisitar a mesma história depois de um conflito real de compartilhamento — 'lembra como o urso deixou seu amigo ter uma vez?' — pode ajudar uma criança a conectar a lição abstrata ao seu próprio comportamento sem se sentir criticada no momento.
